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Transtorno Afetivo Bipolar do Humor

O transtorno bipolar pode ser controlado e a pessoa que apresenta esse quadro clínico pode chegar a ter uma vida normal e de boa qualidade. Entenda como identificar, diagnosticar e tratar o transtorno bipolar.

No mundo existem milhões de pessoas que apresentam o quadro clínico do transtorno afetivo bipolar de humor. Considera-se que a causa predominante sejam fatores hereditários (avós ou pais que apresentam o problema) associados a fatores ambientais (abuso de modo geral durante a infância e/ou adolescência e de fazer parte de uma vida familiar conturbada durante a infância).

Existe um estigma social com relação a este quadro clínico, pelo que se torna importante informar a população, o paciente, seus familiares e amigos, e com isso transformar a estigmatização da pessoa que apresenta o comportamento que a seguir se descreve.

O quadro de transtorno bipolar de humor pode variar entre leve, moderado ou grave. Quando o quadro é grave pode haver necessidade de internação.

A pessoa que sofre de transtorno afetivo bipolar de humor alterna o seu comportamento entre dois pólos: hipomania (aceleração) e depressão.

Hipomania

Em alguns momentos elas se sentem cheias de energia, com muito vigor, trabalham muitas horas por dia, dormem pouco, ficam irritadiças e com relativa frequência se tornam explosivas. Podem apresentar impulsividade para a bebida alcoólica, realizar gastos excessivos e manifestar um aumento na atividade sexual. O humor da pessoa que tem esse transtorno, durante a fase de hipomania, está relacionado à uma maior energia física e mental e a um maior nível de sensibilidade à alegria. É como se nesta fase o mundo tivesse um colorido especial.

É comum a pessoa mudar muito de atividade, apresentar baixa concentração e não conseguir concluir tantas coisas que iniciou. Nesta fase de hipomania a pessoa apresenta uma fala excessiva e pensamento acelerado. Nem ela mesma, nem os que a rodeiam, conseguem acompanhar a sua fala agitada.

Quando o fluxo de pensamento fica muito intenso surgem conteúdos em excesso na mente da pessoa. A quantidade é tão excessiva que a pessoa não tem tempo para elaborar e refletir sobre esses pensamentos que, na verdade, a estão inundando. Nessa enxurrada de pensamentos podem aparecer também pensamentos muito negativos, como pensamentos de morte que causam sofrimento e medo.

A pessoa não consegue frear sentimentos de prazer excessivo e ou alívio rápido e imediato. Ela está como um astronauta em uma nave sem controle. É frequente se observar comportamentos exacerbados em relação à sexo, comida, álcool, drogas e compras. A pessoa, que não está diagnosticada ainda, nem medicada busca alívio para sua impulsividade excessiva nas atividades acima descritas.

Na maioria dos casos são familiares ou amigos que percebem que algo não está bem, mas ela dificilmente irá aceitar tratamento, pois na hipomania a pessoa sente-se bem, com poder, e não se dá conta de seu pensamento acelerado, agressividade e irritabilidade.

Depressão

Em outro momento, devido à oscilação de humor característica da pessoa que tem este quadro clínico, ocorre uma baixa no humor e uma diminuição da energia física (a pessoa se sente cansada e apática) e da energia mental (o raciocínio fica lento).

Há também uma diminuição do prazer (o mundo perde a graça, o colorido) e pode apresentar um aumento da sensibilidade à dor física.

Diagnóstico

De modo geral o diagnóstico é realizado por um médico psiquiatra em uma consulta clínica levantando o histórico do paciente. Mas não é incomum o paciente chegar primeiramente para uma consulta com uma psicóloga. Ele não sabe o que tem e acredita que com a ajuda de uma psicóloga será suficiente.

Esse movimento se passa com as pessoas que tem muita resistência a se consultar com um médico psiquiatra e têm, elas mesmas, preconceito com relação a tomar medicamentos controlados. Nestes casos, a psicóloga está capacitada a colher o histórico inicial do paciente e sensibilizá-lo para a necessidade premente de uma consulta, também, com o médico psiquiatra.

Tratamento

Transtorno bipolar não tem cura, mas pode ser controlado e a pessoa pode chegar a ter uma vida normal e de boa qualidade. O tratamento inclui o uso de medicamentos, psicoterapia e mudanças no estilo de vida.

O desenvolvimento de hábitos saudáveis de alimentação e sono e redução dos níveis de estresse e uma boa manutenção da rotina são muito importantes.

A manutenção da rotina e o hábito de tomar claridade pela manhã são fundamentais no tratamento e para a manutenção do bem estar do paciente.

Como cuidar da impulsividade para gastos

O paciente com transtorno bipolar de humor tem uma impulsividade para fazer gastos excessivos, compras desnecessárias. A psicóloga pode ajudá-lo a desenvolver estratégias para cuidar melhor do seu dinheiro. Há pessoas em que sequer gastam com grandes compras, fazem vários gastos miúdos que lhes parece imperceptível e lhes consome o dinheiro.

Vínculos de confiança e necessidade de apoio

Como o transtorno afetivo bipolar de humor não tem cura, é fundamental a adesão do paciente ao tratamento para manter o quadro sob controle. Para isso o paciente precisa escolher um médico e uma psicóloga com quem possa estabelecer um vínculo de confiança.

É fundamental que o paciente tome os medicamentos seguindo rigorosamente os horários indicados por seu médico. Fazendo isso, sua vida pode tornar-se simples, administrável e tranquila.

Em certos momentos o paciente pode necessitar do apoio da família e amigos. Pessoas que sejam compreensivas e que não façam julgamentos.

O convívio com a pessoa que tem o transtorno

Podem haver momentos em os familiares da pessoa que tem o transtorno encontrem dificuldade de convívio. Talvez, também este familiar, venha a necessitar de uma psicóloga para si próprio, com quem possa conversar sobre as adversidades da convivência.

Cabe explicar que o psicólogo que trabalha com psicoterapia individual, não deve atender nenhum outro membro da família do paciente que existe uma regra de sigilo profissional.

Necessidade de ajustes na medicação

Para cada caso o médico psiquiatra irá prescrever um tratamento medicamentoso adequado. No entanto, é importante deixar claro que a dosagem da medicação não será constante ao longo de todo o tempo do tratamento.

Ao longo da vida do paciente tanto este, com sua capacidade de auto observação, como seus familiares, como sua psicóloga ou seu médico podem perceber que o nível de aceleração pode aumentar, ou que a depressão pode reaparecer. Neste caso existe a necessidade de que seja realizado algum ajuste na medicação.

Isso ocorre devido a vários fatores: eventuais mudanças físico químicas no organismo devido a algum fator estressor pelo qual a pessoa está passando ou mesmo mudanças em seu ambiente familiar ou de trabalho com as quais o paciente esteja encontrando dificuldade para lidar.

Há também a necessidade de acompanhamento com uma psicóloga qualificada. Em quem o paciente sinta confiança para relatar suas alterações de humor, suas dúvidas sobre estar com pensamento acelerado, eventualmente um preconceito que sinta por parte dos familiares.

Conversando sobre a vida como um todo com a psicóloga

O paciente necessita de acompanhamento com uma psicóloga qualificada com a qual o paciente sinta confiança para relatar suas alterações de humor, suas dúvidas sobre estar com pensamento acelerado, eventualmente um preconceito que sinta por parte dos familiares.

O paciente precisará contar com uma psicóloga qualificada com quem ele possa falar de sua vida como um todo: sua relação amorosa, suas relações de amizade, sua relação com colegas de trabalho, com sua chefia e também sobre seu próprio desempenho no trabalho. A pessoa que tem o transtorno não se resume a este ponto. Ela tem uma vida como um todo que será considerada pela psicóloga.

Lidando com pensamentos de morte

O pensamento de morte é muito mais frequente em pessoas que apresentam o espectro bipolar de humor. Por isso existe uma extrema necessidade de acompanhamento em psicoterapia com uma profissional capacitada e de um acompanhamento médico psiquiátrico de qualidade.

No momento em que o paciente sentir pensamentos de morte e desesperança deve entrar em contato imediatamente com seu médico a fim de que este faça um ajuste em sua medicação. E tão logo quanto possível solicitar uma sessão extra à sua psicóloga. Esse é um passo fundamental no tratamento.

Não se colocar em situação de risco

IMPORTANTE! Se aparecerem pensamentos de morte e ou ideação suicida entre em contato imediatamente com seu médico e peça uma sessão extra à sua psicóloga.

Importância da adesão ao tratamento

Para ser eficaz é necessária a adesão do paciente ao tratamento, que este tome regularmente os medicamentos nos horários prescritos pelo seu médico e que não falte a nenhuma sessão com a psicóloga.

Na maioria dos casos, o tratamento com um bom médico psiquiatra e uma psicóloga qualificada são suficientes para a pessoa ter uma boa qualidade de vida e para levar uma vida normal. Mas é fundamental o empenho, a perseverança e a força de vontade do paciente para consigo mesmo, com sua vida e com seu tratamento.

Aprendendo a lidar com os fatores estressores

As pessoas que têm o transtorno são mais suscetíveis ao estresse mesmo tomando a medicação corretamente. Mas não existe vida sem estresse. A psicoterapia poderá ajudar este paciente a manejar de modo melhor as situações de estresse irão aparecer em sua vida.

Se você se identificou com os elementos descritos acima, ou se você já foi diagnosticado e compreendeu a importância do atendimento psicológico entre em contato.

Autora: Maria Elvira Melo Vieira

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